Os melhores Amigos.
O melhor amigo, não tem medo de amar.
Ele era um dos melhores amigos dela. Até se apaixonar por ela. Ela não correspondeu. Eles se afastaram. Depois de algum tempo, "voltaram". Dessa vez, sem segundas intenções. A amizade voltou mais forte, mais intensa e com muitas cobranças que dantes não existiam. O tempo que passaram longe um do outro, lhes fez criar expectativas sobre o que o outro teria de novo para oferecer. Esse mesmo tempo, fez-lhes criar uma defesa da alma, caso a dor de uma segunda separação por um motivo qualquer se tornasse uma ameaça real. Os dois se reaproximaram como filhotes de leões recém-capturados. A graça era que no início, tudo era brincadeira. Mas ao crescerem, seus instintos selvagens afloraram. O tempo que passaram longe um do outro, os havia levado para selva. Na companhia de pessoas que rotularam a amizade como apenas um mal necessário, eles aprenderam que jamais deveriam confiar novamente um no outro. E que a falsidade seria seu melhor aliado.Tendências essas, desenvolvidas por inexperientes no quesito amizade. Pessoas feriadas uma vez, e que não tornam a sentir o calor de uma verdadeira amizade, novamente. Ela via o muro criado por ele. Sentia uma sombra invadindo seu viver. Via o muro ao seu redor. Não havia possibilidade de o sol raiar ali, novamente. Pensava se a tempestade surgiria em breve, e em quem poderia protegê-la. Mas de uma coisa era convicta: Podiam tristezas invadir seu viver, mas ela não temeria. Existia um ramo de esperança. Lembrava, ela, de certa vez, em que alguém lhe contou a história de um homem, que foi chamado por Deus. Sobre este homem, Deus derramou a seguinte responsabilidade: Ficar 40 dias e 40 noites, dentro de um barco, com a Terra inundada d'água. A facilidade aparente era: estar protegido por um Deus. A dificuldade aparente era: estar protegido por um Deus, era a falta que muito provavelmente ele sentiria de seu livre-arbítrio, e a dificuldade de confiar em Deus. Mas, que opção ele tinha? Pela fé (capacidade de acreditar, crer com convicção, e confiar, sem ter plena certeza ou garantia de bons resultados), ele seguiu. Fez tudo conforme Deus mandou. e depois de 40 dias e 40 noites em um barco, confinado, penso eu, se sentindo em um reality show, abriu uma das janelas do barco e percebeu que não mais chovia, mas que ele ainda flutuava, pois a água não havia baixado. Ele então solta um corvo, que ficou voando de um lado pro outro, esperando que a terra secasse. Depois, soltou uma pomba, a fim de ver se a terra já estava seca. Mas a pomba não achou lugar para pousar porque a terra ainda estava toda coberta de água. Ele esperou mais sete dias. Soltou a pomba outra vez. Ela voltou à tardinha, trazendo no bico uma folha verde de oliveira. Assim ele ficou sabendo que a água havia baixado. Sabe aquela folha verde de oliveira? Aquele pequeno ramo de oliveira, para aquele homem, representava mais que apenas parte de uma planta. Aquilo representava esperança...Aquela moça, precisava receber um ramo de esperança. Precisava ouvir o telefone tocar depois de cada discussão, sentir um frio na barriga, e correr para atender pensando ser ele à ligar. Aquele som, vinha como um ramo de esperança. Mas a decepção dela a cada telefonema negando ser ele, trouxe à ela a frieza de Ivã, o terrível. Trouxe à ela, a notícia do fim de uma amizade que teria tudo pra dar certo. Mas que o mundo só soube educar pra que eles a matassem. tempos depois, ela já não esperava, mas ele liga...Quão bom seria ouvir sua voz antes! Mas como era previsto, já não havia empolgação em sua voz. Ela, agora seca, tenta ser cortês. Mais precisamente, educada.Consegue. Sente que agora deve seguir um bom caminho, e que suas forças para recuperar o que um dia foi perfeito, esgotara. E suas tentativas de renovação, foram frustradas. Não há nada para fazer. Só esperar, que o destino, os cruze em boas circunstâncias, mais uma vez...
